Saúde


Alerta: Lafaiete vive epidemia de sífilis

Cidade registrou cerca de 380 novos casos da doença desde 2018; recomendação é para prevenção e realização de exames mesmo para quem tem única parceria sexual


“Estamos vivendo uma epidemia de sífilis no Brasil e em Conselheiro Lafaiete não é diferente”. O alerta feito pelo gerente de Vigilância Epidemiológica Diogo Dias Silva e pela psicóloga com formação em Gestão de Sistemas de Saúde Valéria Cristina Carvalho Neri tem como base números fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde: de janeiro de 2018 até o dia 5 de junho de 2019 foram registrados 346 casos de sífilis, 22 casos de sífilis em gestantes e 12 casos de sífilis congênita em Lafaiete. No mesmo período, a cidade ainda somou 36 casos de HIV/AIDS e 24 casos de hepatites virais. Outra informação também chama atenção: não é mais possível estabelecer um perfil de risco: todas as pessoas que mantêm relações sexuais sem o uso de preservativo estão expostas ao risco, não importando se têm uma única parceria sexual ou sua orientação sexual.
Todas essas doenças são sexualmente transmissíveis e poderiam ser evitadas com o uso de preservativo e adoção de outras práticas de segurança que parecem estar sendo deixadas de lado não só em Lafaiete, mas em várias partes do mundo. Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou que a cada dia são registrados no mundo mais de 1 milhão de casos de doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com dados mais recentes, em 2016 houve mais de 376 milhões de novas infecções de clamídia, gonorreia, sífilis e tricomoníase. Segundo a especialista em infecções sexualmente transmissíveis da OMS, Teodora Wi, há a preocupação de que o uso do preservativo possa estar diminuindo, já que as pessoas perderam o medo de contrair o HIV com o surgimento de tratamentos antivirais mais eficazes.

Alerta para os sintomas

Existem vários tipos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). As mais comuns são herpes genital, HPV, clamídia, candidíase, donovanose, tricomoníase, sífilis, hepatites, HIV e gonorreia. O HIV/Aids e a Sífilis também podem ser transmitidas da mãe infectada, sem tratamento, para o bebê durante a gravidez e/ou no parto. E, no caso da Aids, também durante a amamentação. Mães com HIV não podem amamentar seus bebês. Por isso, o governo fornece o leite em pó durante os 6 primeiros meses de vida.
Os sintomas mais comuns das ISTs são feridas, verrugas, corrimentos esverdeados ou amarelados com mau cheiro e coceira nos órgãos genitais (pênis, vagina e ânus). Como fluídos sexuais (esperma e fluído vaginal), sangue e leite materno podem conter os vírus ou bactérias das ISTs, a forma mais segura de prevenção é o uso de preservativos em todas as relações sexuais (oral, anal e vaginal). Por serem doenças que são transmitidas também pelo sangue, o compartilhamento de agulha, seringa, cachimbo do crack, canudo ou nota para cheirar cocaína, alicate de unha, lâmina para barbear deve ser evitado.
“Para hepatite B, temos a vacina disponível na rede pública. No caso do HPV, a vacina está disponível para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Já a vacina de hepatite B não há restrição de idade”, explica Diogo Dias Silva.
A sífilis possui três fases: primária, secundária e terciária. “A pessoa infectada pode demorar até 3 meses para apresentar a ferida indolor na boca, lábio e órgãos genitais (fase primária). Estes sintomas desaparecem. Após seis meses, surgem manchas na pele, principalmente nas mãos e pés, que também desaparecem. Após essa fase, ocorre a terciária ou tardia, que leva de 2 a 30 anos, causando complicações no cérebro, pele, coração e ossos”, afirma Diogo Dias Silva.
Para a detecção do HPV (verrugas), é importantíssima a realização do exame preventivo do colo do útero, pois há dois tipos de HPV cancerígenos, causando câncer do colo de útero, de pênis e garganta (sexo oral). Para diagnosticar o HIV, sífilis, hepatites B e C há o Teste Rápido (TR) e outras sorologias. “O TR fornece resultados em 30 minutos após a coleta. O jejum é dispensado. Já para as outras ISTs, o diagnóstico é realizado por meio de sinais e sintomas e, para isso, é preciso procurar um médico, que é o profissional apto a fazer estes diagnósticos”, detalha Valéria Cristina Carvalho Neri.
Os TRs estão disponíveis no Centro de Promoção da Saúde (CPS/CTA-Centro de Testarem e Aconselhamento) de Conselheiro Lafaiete, situado na avenida Dom Pedro II, 190, bairro São Sebastião e podem ser agendados pelo telefone 3769-9054. O teste é sigiloso e gratuito.
É importante lembrar que algumas ISTs não apresentam sintomas ou sinais, mas são transmitidas aos parceiros sexuais. “A maioria das mulheres pode ser portadoras assintomáticas da gonorréia, clamídia e cancro mole. O homem, portador assintomático da tricomoníase. Todas as pessoas que já se expuseram a risco para as ISTs (sexo sem preservativo), mesmo sendo parceria única e fixa, devem realizar os exames para saberem seu estado sorológico, pelo menos uma vez ao ano. As ISTs têm aumentado no mundo inteiro, e as bactérias da gonorreia e da clamídia estão ficando resistente aos medicamentos e estão sendo chamadas de superbactérias”, alerta Diogo Dias Silva.

Serviço

Centro de Promoção da Saúde (CPS/CTA-Centro de Testarem e Aconselhamento)
Endereço: avenida Dom Pedro II, 190, bairro São Sebastião
Telefone: (31) 3769-9054




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Escrito por Redação, no dia 19/06/2019


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