Saúde


Psicóloga alerta: jovens estão mais expostos ao vício nas redes sociais



Ansiedade, menor concentração, baixo rendimento no estudo e trabalho, conflitos de relacionamento, isolamento social e até alguns problemas físicos ligados ao excesso de digitação e postura inadequada frente aos dispositivos são alertas para um problema que afeta a cada dia mais pessoas: o vício em redes sociais. Segundo pesquisa realizada pela Instituição de Saúde do Reino Unido, redes sociais são mais viciantes que o álcool e o cigarro. Entre as redes analisadas no estudo, o Instagram foi avaliado como o mais prejudicial. O estudo mostrou que o compartilhamento de fotos pelo Instagram impacta negativamente o sono e a autoimagem. Os jovens avaliados estavam ansiosos, deprimidos, com baixa autoestima. O estudo envolveu quase 1,5 mil jovens, entre 14 e 24 anos ? grupo para o qual as taxas de ansiedade e depressão aumentaram 70% nos últimos 25 anos. 

O problema é real e também se repete no Brasil. De acordo com a psicóloga clínica Renata Fernanda Dias, a ocorrência de casos é comum em qualquer faixa etária, mas como qualquer outro vício, os adolescentes estão no grupo de risco. "As pessoas mais jovens são mais vulneráveis, já que estão no meio do processo de formação de sua personalidade adulta. Também porque, para os adolescentes de hoje, o mundo virtual é tão real quanto os relacionamentos físicos face a face. As mudanças físicas e psicológicas que os adolescentes experimentam podem deixá-los emocionalmente inseguros. Consequentemente, às vezes, os adolescentes podem procurar na tecnologia a segurança que eles não conseguem encontrar em si mesmos", situa.

Pessoas que possuem qualquer outro distúrbio, como depressão, transtorno bipolar, déficit de atenção ou hiperatividade também estão mais suscetíveis ao vício. "O uso excessivo da rede social é, quase sempre, um refúgio para não lidar com os problemas reais. A solidão e a falta de amigos podem levar um jovem a se refugiar na tecnologia", alerta Renata Fernanda Dias. 


Tempo x vício


Mas se engana quem pensa que o tempo gasto nas redes sociais é um indicador seguro acerca da dependência digital. O que precisa ser avaliado, conforme explica a psicóloga, é a perda do controle da vida real, que pode trazer prejuízos nos campos pessoal, profissional, familiar, afetivo ou social. "Nem todo uso excessivo pode ser considerado uma dependência, mas toda dependência está associada a um uso abusivo, que é sinal de alerta para o sujeito investigar o que está acontecendo com ele", pondera a psicóloga, que dá ideia da medida ideal de envolvimento. "O tempo que pode ser dedicado aos diapositivos e mídias sociais é aquele que não venha interferir em sua qualidade de vida. Não é porque a vida social se tornou digital que você vai se esconder atrás de um computador em seus relacionamentos. É preciso reservar um tempo para estar junto com os amigos e família presencialmente", orienta.


Quando procurar ajuda


Uma ótima forma de fugir das redes sociais e focar em uma vida menos virtual é a prática de esportes, hobbies, arte, leituras e afins. Assim, dosar o tempo entre o computador, o celular e outras atividades será algo muito mais natural. "É importante que a pessoa saiba estabelecer um limite, para que as responsabilidades com os estudos e trabalho não sejam deixadas de lado por conta das redes sociais. Se houver dificuldade acentuada em encontrar prazer em atividades diferentes e se relacionar com outras pessoas fora da internet, é importante buscar ajuda profissional", orienta a psicóloga.


Como evitar esse problema


Lembrando que a tecnologia faz parte da nossa realidade, Renata Dias alerta que podemos, nem devemos, negar ou proibir o seu uso. Alguns desses cuidados podem ser tomados pelos pais, como manter computadores em áreas compartilhadas, para ajudá-los a gerenciar o tempo e até as páginas acessadas, ensinar os filhos a usar a internet de forma construtiva, informando sobre a importância de proteger suas vidas privadas e evitar a publicação de fotografias pessoais nas redes sociais. "Inicialmente, imponha um horário para que seus filhos possam aprender a usar o computador e a internet como ferramenta útil, de forma equilibrada e racional. A maneira mais eficaz de fazer isso é estimulando seus filhos com outros tipos de atividades. Fale com seus filhos sobre essa situação para que você possa ajudá-los a perceber que algo está errado. A comunicação melhora as relações familiares e a saúde emocional dos membros da família", finaliza.


Serviço


Renata Fernanda Dias 

Psicóloga Clínica CRP 04/13463

Contato: (31) 9 95956258


Escrito por Redação, no dia 06/09/2018