Comunidade

Missionária conta com a solidariedade para lutar contra o câncer

A fé, a esperança e a solidariedade têm sido os pilares que sustentam a família Henriques, mo­radora de uma casa simples no bair­ro Jardim Europa (zona sul). En­quan­to buscavam um doador de medula óssea para o pequeno João Pedro, de 9 anos, os familiares foram surpreendidos por mais uma notícia que exigiria a união de todos: ano passado, a tia-avó do garoto, Maria Eli­ze­te Henriques, de 56 anos, também foi diagnosticada com câncer, em estágio avançado. Com poucos recursos, mas sem deixar se abater, a família conta a generosidade da população para dar melhor qualidade de vida para Tu­tu­ca, como é conhecida.

A irmã de Tutuca, Valdete Henri­ques, 53 anos, conta que a doença deu os primeiros sinais ainda em 2015, mas por negligência dos médicos, não foi diagnosticada: "Na época, ela mo­rava em Antônio Carlos. Com do­res no corpo, ela procurou os médicos de lá, mas eles olharam os exames e de­duziram e trataram um reumatismo no sangue. Quando ela passou a sentir dores mais fortes na coluna, eles fizeram um raio-X e disseram que ela estava com desvio na coluna e com esclerose. Aí vieram as fortes do­res no peito e uma mancha no pulmão. Só que o médico falou que não era nada grave; que era só para evitar poeira, fumaça e mofo. Depois, ela co­meçou a sentir muitas dores de barriga, além de outras dores. Fez um no­vo exame, que apontou uma mancha no fígado. Mas o médico falou que não era nada grave. E assim foi, du­rante todo esse tempo".

Por achar que não era grave, Ma­ria Elizete não contou para os familiares: "Só em 2017, uns 3 meses antes dela passar mal, ela me ligou falando que estava com uma mancha no pulmão, mas que, segundo os médicos, não era grave. Em julho, ela passou muito mal e o médico que a atendeu des­confiou. Deus colocou ela nas mãos desse outro médico. Assim que ele viu os exames do fígado e pulmão, perguntou que tratamento estava fa­zendo. Minha irmã explicou que não estava fazendo tratamento. Ele pe­diu um monte de exames e, quando chegaram os resultados, ele viu que estava tudo comprometido".

Com o resultado em mãos, o mé­dico decidiu chamar a família: "Fo­mos eu, minha filha, Andrea, e meu irmão, Júlio. O médico explicou que ela estava com vários tumores, em vá­rias partes do corpo; que o câncer já estava enraizado. Disse a ele que os sinais começaram em 2015, mas o médico que tratou dela na época, infelizmente, não percebeu. Ele então falou que até os nó­dulos nos seios dela já tinham se transformado em malignos e que não tí­nhamos mais nada a fazer. Que o tratamento seria paliativo; só para aju­dá-la a suportar o período crítico", lem­bra Valdete.

União

Sem pensar duas vezes, Valdete trou­xe sua irmã para Lafaiete e a fa­mília se uniu para cuidar de Tutuca.  A sobrinha Andrea, que é mãe de João, levou os exames para três hospitais: Santa Tereza, Luxemburgo e Hos­pital das Clínicas: "A gente ouviu a mesma coisa: 'o tratamento é paliativo, porque não tem cura mais'. Mes­mo assim, ela fez vários exames para dar início ao tratamento", conta. Co­mo Valdete e o filho, Fábio, estão de­sempregados, a família tem se desdobrado: "Tive que deixar o meu em­pre­go para cuidar dos meus outros dois netinhos, porque a Andrea passava muito tempo com o João, inter­na­­do, e eles não podem ficar sozinhos. Com a melhora do João, eu ia voltar. Minha patroa tinha até me cha­mado, mas não posso abandonar mi­nha irmã. Então, estou sem trabalhar. E o dinheiro que ela recebe do auxílio doença não cobre nem as despesas dela. Tenho um brechó em casa, mas não é todo dia que vende. Além de ser tudo baratinho também. Meu fi­lho faz qualquer bico que aparece e cuida dela quando preciso sair", detalha.

Doações

A alimentação de Maria Elizete é uma das preocupações da família: "Gra­ças a Deus, a gente ganha muita cesta básica. O que a gente precisa mes­mo é de legumes, frutas, suco con­­centrado de garrafa, biscoitos (água e sal, maisena, polvilho), leite integral. No café da manhã, dou a ela leite com Sustagen ou mingau de Mu­cilon, Neston ou Nutril, mas tem que ter um copinho de legumes para ela to­da manhã. Por volta de 9h, dou sa­lada de fruta ou vitamina; 11h dou almoço; por volta de 14h30 faço o café e mais um copinho de legumes. A Tu­tuca nunca gostou de carne, mas a mé­dica exigiu que ela coma carne vermelha. Nem que seja um pedacinho. A carne a gente gasta pouco", explica a irmã. O gasto com fraldas geriátricas tam­bém é alto: "A cada 2h, no máximo, temos que trocá-la, porque o xixi é muito intenso e não pode molhar o colchão casca de ovo. Gasto também lenço umedecido, gaze, soro fisiológico, para fazer a limpeza íntima. As gazes ganho no hospital ou peço no posto. O resto tenho que comprar. Ela também precisa de po­mada antiassadura, que tem de ser Hi­poglós ou Bepantol".

Valdete afirma que não perdeu a esperança: "A Tutuca era faxineira, fazia artesanato e era missionária da igreja. Eu espero um milagre de Deus. Meu neto, João Pedro, vai terminar o tratamento no mês que vem. E vou cumprir minha promessa para nossa Se­nhora Aparecida e conseguir levar ele lá na igreja dela; no altar e na sala dos milagres, para agradecer a intercessão dela junto a Deus, que tem fei­to milagres na vida dele. E é esse milagre que eu espero também para minha irmã". Maria Elizete também conversou com nossa Reportagem e disse que, apesar das dores, estava se sentindo bem: "Tem que ter fé em Deus. Só ele mes­mo neste momento e com a ajuda da família. Se a família não tiver unida para ajudar a gente não consegue. E, graças a Deus, a minha está me ajudando". Andrea tam­bém mantém a fé: "Deus é bom o tempo todo. A gen­te não pode reclamar".

Saiba mais

Quem quiser ajudar a família, pode levar doações frutas, legumes, sucos concentrados, suplementos alimentares como Sustagen, Mucilon, Neston ou Nutril, além de fraldas geriátricas, soro filológico, pomada. O endereço é rua São Lourenço, 310, Jardim Europa. Os telefones são 97130-3119 ou 98670-7396,



Notícia enviada por Redao, no dia 10/01/2018




Comente esta Notícia

Galerias

Noite de homenagens em Lafaiete promovida pela agência de pesquisa RJSUL Comunicação (antiga CNPP)

Enquetes

Qual notícia chamou mais sua atenção?


Enquetes 2


No momento, não temos nenhuma enquete ativa.


Colunistas




EXPEDIENTE

DIRETOR-PRESIDENTE E EDITOR: Luiz Fernando de Andrade GERÊNCIA GERAL: Clésio Samuel Luiz Peixoto SUB-GERENTE: Edmilson Moreira Dutra REDATORA: Juliana Monteiro REDATOR-ADJUNTO: Hugo Pacheco Jr. REPORTAGEM: Frances Santana / Rafaela Melo PAGINAÇÃO GRÁFICA: Daniel Vieira / Raquel Gonçalves PUBLICIDADE: Mara Rúbia de Oliveira Silva / Silvana Ribas REVISÃO E DIGITAÇÃO: Jussara Andrade COORDENADOR DE ESPORTES: Amauri Machado (DRT 08266) BANCO DE DADOS: P. de Souza SECRETÁRIA: Norma Aparecida Vitoreti Ramalho CIRCULAÇÃO: Valdiney Rodrigo Vieira Rodrigues IMPRESSORES GRÁFICOS: Wilson Ricardo de Souza / Willian Ribeiro CONSELHO EDITORIAL: Dr. José Álvaro Castanheira / Luiz Fernando de Andrade / Clésio Peixoto / Juliana Monteiro