Saúde

Neurologista alerta sobre sintomas e perigos do Mal de Parkinson

Tremor em repouso, rigidez e lentidão para realizar as tarefas do dia a dia e, nas fases avançadas da doença, dificuldade de equilíbrio são apenas alguns dos sintomas da doença de Parkinson. A doença pode afetar homens e mulheres de qualquer idade, porém, é mais frequente depois dos 50 anos, e geralmente vem acompanhada de perda do olfato (incapacidade de sentir cheiro), alterações do sono e depressão. Segundo o neurologista e neuropediatra Igor de Assis Franco, o mal de Parkinson, como também é conhecido, ocorre devido à morte dos neurônios que produzem uma substância denominada dopamina. "A dopamina é essencial na realização de algumas funções do nosso corpo, como, por exemplo, o movimento. Estima-se que seja necessária a morte de, pelo menos, 60% dos neurônios produtores de dopamina para o surgimento dos sintomas da doença de Parkinson", detalha.

Embora não se saiba o que realmente ocorre, várias causas têm sido propostas, como exposição a toxinas e pesticidas, fatores genéticos, trauma, envelhecimento, falta de exercícios e hipertensão. "Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) atestam que cerca de 1% da população mundial acima de 65 anos tem Doença de Parkinson. A prevalência estimada é de 100 a 200 casos por 200 mil habitantes. No Brasil, são poucas estatísticas, mas estima-se que 200 mil pessoas sofram da doença. É de se esperar, então, que em Conselheiro Lafaiete e região tenha aproximadamente entre 100 a 200 pacientes com doença de Parkinson, mostrando a real necessidade de reconhecimento precoce", alerta o neurologista. 

Condição neurológica decorrente de um processo neurodegenerativo, a doença de Parkinson tem um início lento e gradual, com manifestações clínicas unilaterais, sendo o tremor nas mãos ou a rigidez de um dos membros a forma mais frequente de apresentação. "Com o passar do tempo, os sintomas tornam-se bilaterais, mas com permanência da assimetria do quadro durante a evolução da doença. O tremor tem uma característica peculiar sendo iniciado de um lado do corpo, podendo estar presente bilateralmente, mas sendo maior de um lado do corpo. Já a rigidez é notada quando se movimenta os membros do paciente apresentando uma sensação de estar girando uma catraca, daí o nome de rigidez em roda denteada", explica.

O paciente com mal de Parkinson também se torna mais lento e passa a encontrar dificuldades em terminar as tarefas, levantar-se de uma cadeira e iniciar os movimentos. Os atrasos também se tornam frequentes, conforme explica. "O andar é lento e os passos são pequenos - geralmente um pé não ultrapassa o outro. O paciente tende a assumir uma postura encurvada para frente, com flexão dos antebraços na altura da cintura e, com a evolução da doença, apresenta os membros inferiores fletidos (curvados). O rosto mostra uma falta de expressão, dando uma impressão de face congelada. A voz é rouca e, às vezes, muito baixa. Engana-se quem pensa que a doença de Parkinson é só tremor: ela pode apresentar sintomas depressivos, como manifestação inicial, alterações do sono como sonhos vívidos e alucinações visuais", acrescenta o neurologista.

Como tratar a doença?

E é exatamente para evitar que o paciente enfrente todos esses problemas é que procurar um neurologista diante dos primeiros sintomas é essencial. Assim como diabetes e hipertensão, a doença de Parkinson não tem cura, mas o tratamento melhora significativamente a qualidade de vida das pessoas, mantendo-as independentes para a realização de suas atividades de acordo com a época do diagnóstico e o início do tratamento. "Todo paciente que apresentar tremores de um lado do corpo, principalmente em repouso, lentidão para realização das tarefas e marcha (andar) em pequenos passos deve ser avaliado por um neurologista. A partir do diagnóstico, o tratamento é realizado utilizando medidas farmacológicas (medicamentos), não farmacológicas (fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição e psicologia) e, dependendo de cada caso, cirurgia. Quando não tratado, o paciente pode ter restrição para realização de suas tarefas, sendo necessário o auxílio de outras pessoas para realizar tarefas simples, como banhar-se, vestir-se e alimentar-se", lista Igor de Assis Franco.

O tratamento deve ser realizado por uma equipe multiprofissional, composta por um neurologista (que fará o diagnóstico e introdução das medicações), fisioterapeuta (auxiliará na manutenção da força, tônus e equilíbrio muscular), psicólogo (tratará não só dos sintomas depressivos do paciente, mas de toda a família), nutricionista (orientará a dieta mais adequada para o paciente) e fonoaudiólogo (estimulará a voz do paciente). "A maioria dos medicamentos é fornecida pelo SUS. No entanto, alguns se beneficiariam se houvesse amplo acesso a essas drogas. Ainda há uma lentidão para aprovar esses medicamentos mais novos. Outra deficiência é o acesso ao tratamento cirúrgico com estimulação cerebral profunda. A saúde pública disponibiliza em poucos serviços e é insuficiente para atender as demandas. Esperamos mudar esse paradigma", finaliza.

Serviço

Igor de Assis Franco

Neurologista, neuropediatra e mestre em neurologia.

Em atendimento na Ekosom e

Hospital e Maternidade São José.

 


Notícia enviada por Rafaela Melo, no dia 24/05/2017




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