Opinião

Confira o artigo desta semana: Espiritismo e educação

Poucos sabem, mas aquele a quem se atribui o papel de codificador da Doutrina Espírita não se chamava Allan Kardec. Este foi um pseudônimo utilizado por Hippolyte Léon Denizard Rivaill, professor francês aluno e discípulo de Johann Pes­talozzi, passando a ser seu colaborador na expansão do método pedagógico do mestre suíço na França.

 Devido a este fato, Kardec/Rivaill preocupou-se com o papel educativo como finalidade da doutrina dos espíritos, o que promoveria um efeito religioso e moralizador do ser. Definindo a educação como a arte de formar novos caracteres, ou criar novos hábitos, o professor Rivaill constantemente buscou empregar o ensino ofertado pelos espíritos em todo o mundo, através de médiuns diferentes em mais de 1000 centros espíritas àquela época de forma que contribuísse para a educação dos indivíduos e, consequentemente, culminando em uma sociedade mais justa e ética, onde os valores de respeito ao próximo seriam ordinários.

Os fenômenos mediúnicos e anímicos, denominados paranormais ou metapsíquicos pela ciência atual, tiveram como objetivo apenas despertar a atenção das pessoas para a realidade das comunicabilidades dos ditos "mortos" para com os ditos "vivos", o que se encontra nas mais diversas culturas em todo o mundo, desde as eras mais remotas em que formaram-se sociedades em nosso orbe. Portanto, trata-se de ignorância limitar o Espiri­tismo somente a fenomenologia mediúnica, que ape­sar de seu papel importante não assume papel de objetivo da Doutrina Espírita e sim de ferramenta para que esta chegue a humanidade.

O objetivo espiritista é promover o despertar da consciência e a revelação das leis divinas. Cum­prindo o papel do Consolador prometido por Je­sus, o Espírito da Verdade (João 14:17).  Em despertando as consciências para a imortalidade da alma (Vim para que tenham vida, e vida em abundância. João 10:10), a vida após a morte (ó morte, onde está teu aguilhão! I Coríntios 15:55), a reencarnação (Não te maravilhes de ter dito: Necessário é nascer de novo. João 3:7), a lei de causalidade (a cada um será dado segundo suas obras. Mateus 16:27) a Doutrina Espírita não impõe, mas explica a necessidade que temos de seguir o Evangelho para alcançarmos a felicidade que está reservada a todos nós no reino de Deus, que conforme o ensinamento de Jesus já está dentro de nós.

  A educação, sendo um movimento de dentro para fora, diferente da instrução que acontece de fo­ra para dentro, deve ser promovida pelo próprio indivíduo, é sua responsabilidade. O que faz o Es­piritismo é instruir e respeitar cada qual em sua con­dição de vivenciar as Leis Divinas, respeitando o li­vre pensamento e nunca impondo nada, pois se Deus nos concedeu o livre arbítrio, também estabe­le­ceu em sua Lei de Justiça que nem um til ou jota passará, não cabendo a nós o papel de juiz que é de Deus. Assim, o espiritismo não tem a pretensão de mudar a convicção de ninguém, aguardando àqueles que têm fome e sede de instruírem-se, para iniciarem sua caminhada educativa que o levará ao Pai.

 

Gustavo Ramalho

Colaborador da Aliança Municipal Espírita

ramalho1857@gmail.com


Notícia enviada por Rafaela Melo, no dia 29/03/2017




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