Educação

O que espero de 2018

Mais do que expectativas, prefiro pensar em perspectivas para 2018. Esperar é importante, mas investir em atitudes e mudanças radicais é essencial para a aparecerem melhorias sociais. A espécie humana precisa investir, antes de tudo, na evolução do pensamento. Só então as perspectivas serão plausíveis. Estou apostando nesses dados.

Quero ver mais firmeza no combate da Polícia Federal contra a corrupção e mais dinheiro público investido em Saúde e Educação. Quero ver a categoria dos professores mais unida e menos abusos de diretores, pais e alunos. Menos violência nas escolas e a população da nossa cidade mais educada, zelosa pela cidade tão pelejada pelo vandalismo contra o patrimônio público. Quero ver os vereadores apresentar projetos que tenham mesmo importância social e a população cobrando dos três poderes mais transparência, ética política e exercício do poder sem subornos e propinas, tanto em nível local quanto estadual e nacional.

Mas quero ver, também, as pessoas trabalhando na perspectiva de sua evolução pessoal. Já conquistamos muito avanço tecnológico. Porém, o atraso do pensamento humano está assustador.  Se um pequeno grupo luta, defende e pratica a tolerância às diferenças de gênero e aplica no dia a dia o verdadeiro princípio da democracia de unidade no contexto pluricultural pelo respeito às diversidades culturais, um bando de (des)humanos massacra pessoas e grupos com orientações sexuais ou políticas que fogem ao padrão ortodoxo da sociedade. Sinto que a Filosofia pode nos trazer alguma consolação na luta para a realização dessas perspectivas.

Não chego a ser cético, pois esse perfil padece de esperanças. Aprendi um pouco com a Filosofia estoica, ou estoicismo, a não criar muitas expectativas sobre as relações humanas de poder, pois esperar demais é sofrer demais. Mais do que expectativa, o desafio da vida social é criar e lutar com perspectivas. No entanto, sem idealizar ou absolutizar demais as conquistas.

O estoicismo antigo do filósofo Zenão, antes de ser influenciado pela cultura romana, defendia a concepção de que, para viver bem, não podemos esperar muito das relações humanas.  A essência da vida estaria em buscar a ataraxia, ou seja, a calma e o equilíbrio, que é, em última instância a serenidade frente aos problemas e desafios. O objetivo da ataraxia seria alcançar a capacidade de se blindar contra algumas dores, o que os epicuristas denominaram de aponia, ou ausência de dor, mesmo nas atribulações.

Gosto de pensar nessas atitudes mentais e tento praticá-las. Podem parecer alienadas, mas têm suas razões sábias. Penso que teremos um ano novo de forma mais plena, se tentarmos relacionar com coisas e pessoas, sem ignorá-las, mas também, sem absolutizá-las. Isso significa não esperar mais do que elas podem nos oferecer, conscientes de que a espécie humana é cheia de limites. Portanto, relativizando tudo. O sofrimento decorre da ingenuidade de querermos absolutizar tudo: relações e conceitos, posses e concepções, sistemas de crenças religiosas e teorias científicas. Todavia, não podemos viver sem esperanças e perspectivas.

Volto a dizer que isso não significa virar as costas para o mundo e para os problemas sociais. Não vale olhar o mundo como um ser acima dos mortais. Ao contrário, é preciso arregaçar as mangas e lutar pela decência, pela ética e justiça sociais. Não tenho a expectativa ingênua de que a virada do ano vai fazer o milagre do fim da corrupção. Mas, quero ver mais pessoas trabalhando na perspectiva social de combater e prender os corruptos e de que o rigor sobre os crimes contra a economia e paz social serão grandes. 

Espero que, em 2018, mais pessoas deixem o discurso mal intencionado de que ?se eu não roubar outro rouba?. Desejo que as pessoas sejam éticas nas suas atitudes, independente de serem monitoradas por tornozeleiras ou câmeras. Espero que a consciência ecológica ensine que é preciso zelar, principalmente, pela ecologia humana, como única forma de sobrevivência da espécie e de condições míninas para a convivência social.

José Antônio dos Santos

Mestre pela UFSJ

Contato: joseantonio281@hotmail.com

 


Coluna enviada no dia 10/01/2018




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