Educação

Desafios para a escola de tempo integral Parte I

Ao contrário do que muitos acreditam, a escola de tempo integral vai exigir dos estudantes muita capacidade de foco e de concentração. Essa atitude é radicalmente oposta à dispersão das ideias vividas numa sociedade altamente complexa como a nossa. Esse é um dos principais desafios que a escola enfrentará nos próximos anos.

Essa mesma escola integral enfrentará o desafio de instrumentalizar os alunos com uma base emocional que os tornem capazes de atuar em uma sociedade cada vez mais doente e desequilibrada, onde não há mais tanta confiança entre as pessoas. Essa questão é discutida pelo secretário municipal de educação de Castelo, Espírito Santo, Haroldo Rocha. As discussões básicas do texto, adaptado, são de Ana Estela Souza Pinto e Érica Fraga.

Para Haroldo Rocha, secretário de Educação do Espírito Santo, o século 21 apresenta um desafio adicional para a escola: além de se preocupar com o desenvolvimento acadêmico e cognitivo ? ler, escrever, fazer contas, interpretar a história, terá que ensinar as crianças a administrar suas emoções, trabalhar em equipe, ter persistência e resiliência. Essas competências, chamadas de socioemocionais, estão sendo objeto de discussões da rede escolar do Estado, para construir um novo currículo que deve ser concluído em março.

A ideia é implantar o ensino das novas habilidades em todos os níveis de ensino. Responsável pela rede de ensino que obteve o melhor resultado no Pisa (teste internacional), ele descreve um novo mundo "diverso, em que tudo é muito rápido, em que nada se sustenta" e as mídias favorecem a dispersão, enquanto a aprendizagem exige foco e concentração.

O Espírito Santo também tem planos para ampliar as atuais 17 escolas integrais de ensino médio para 300. "Queremos chegar a 100% dos alunos em 2030", diz ele. Mas como fazer planos para daqui a mais de dez anos sem saber quem estará no governo? O secretário enumerou quatro formas de "blindar" políticas públicas de um desmanche por futuros governantes em entrevista à Folha.

Folha - O Espírito Santo foi o Estado brasileiro com melhor desempenho no último Pisa? Isso se deve a novas políticas ou à gestão de programas já existentes?

Haroldo Rocha - Nos resultados do Pisa e do Saeb (avaliação do ensino básico) o Estado teve de fato destaque no país ? mas não em comparações internacionais. Em 2009, houve uma mudança importante: em toda a rede de ensino médio e fundamental, estendemos o número de aulas diárias de 4 para 5, ou seja, 25% a mais de aula. De 2015 para cá, trabalhamos com duas metodologias que não inventamos. Buscamos exemplos no Brasil.

A secretaria tem mencionado como importante a escola integral no ensino médio.

Sim. Esse programa, Escola Viva, foi desenvolvido primeiro em Pernambuco. É um currículo diferenciado de educação integral em tempo integral. Começamos com uma escola, no ano passado passamos a cinco, neste são 17. No ano que vem vamos a 32, e o planejamento é chegar a 300 escolas em 2030. Então, atenderemos 100% dos alunos no ensino médio em tempo integral, e a 25% dos alunos de 6º a 9º ano. No país todo, é nesses anos finais que a maior parte dos estudantes abandona a escola ou se atrasa.

Na edição da próxima semana, vou comentar a entrevista que o secretário Haroldo Rocha dá à Folha acerca da visão que ele tem sobre a importância da escola de tempo integral e da necessidade de investimentos, a começar pela formação de professores que atuam na educação infantil.

Fonte - Texto com título e parágrafos adaptados, disponível na Folha de São Paulo,

link Cotidiano.


José Antônio dos Santos

Mestre pela UFSJ

Contato: joseantonio281@hotmail.com

 


Coluna enviada no dia 27/12/2017




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