Esporte

A decisão brilhante, louvável e honrosa

Os desacertos de Renato Pelé no comando do setor de futebol amador culminaram com sua de­missão. Dentre outros, a desorganização e a falta de jogadores na seleção, os portões fechados no estádio Santa Matilde, as ordens mal elaboradas e, por último, a exposição à eliminação de Lafaiete com o atraso do material no domingo, dia 22, em Queluzito, tornaram-se insuportáveis ao prefeito Mário Marcus a manutenção de seu cargo na Secretaria Municipal de Educação e Esportes (Semede).

Nem mesmo o ?lobby? feito junto aos jogadores fez o prefeito repensar sua decisão. Ainda em Queluzito, nos propusemos a ouvi-lo em entrevista, mas Pelé preferiu não gravar, dizendo apenas que ?gos­to das coisas muito certas... não nasci na política e vou continuar levando minha vida normalmente?, destacou o ex-chefe.

Em entrevista na cobertura exclusiva ao Jornal CORREIO e à Rádio Cidade 98 FM, Mário Marcus resumiu: ?É uma pena que tenha acontecido. Pes­soas que teriam a responsabilidade de fazer as coisas no tempo certo e não fizeram. Não só pelo fato ocorrido hoje, mas também por outros acumulados anteriormente foi feita a exoneração da pessoa. Va­mos nos reunir com o pessoal da Secretaria de Es­portes e verificar o melhor caminho; a melhor decisão?, considerou o prefeito. Abrão Tavares vai acumular as funções no varzeano e no amador até o término da Copa Athanázio Damasceno e da Copa Amalpa, já definindo e marcando treino para a seleção às 16h deste sábado.

Aconteceu a exposição à uma situação grave e de grande desgaste técnico e político - e poderia ter sido catastrófica. A sede e a organização da Copa são de Lafaiete e o prefeito da cidade é o presidente da Amalpa. Lafaiete seria eliminada da atual Copa Amalpa e da próxima, o que poderia levar até mes­mo à extinção da competição e o prejuízo se es­palharia pela região. Como destacou o prefeito, este não foi o primeiro erro, mas o acúmulo, a repetição de fatos, os mandos e desmandos, as ordens do rei... o conjunto da obra levou à demissão e à perda de um bom salário como servidor público contratado ao Renato Pelé, que recentemente destacou que ?o futebol não funciona com voluntariado. Só profissionalmente?. Pelé poderia ter deixado a roupa na van que levou os jogadores com o roupeiro Cabrito, que é um voluntário.

Mas, ?mesmo? diante da lambança do Pelé, o destaque maior ficou para a ?louvável? atitude de Que­luzito. Estão de parabéns o Renan, o Maurício e todos que apoiaram a decisão de ceder o uniforme a Lafaiete, mesmo sabendo do risco que se corria de perder o jogo e ter sua classificação dificultada. Queluzito poderia ter dito ?não?, ganharia três pontos e ainda eliminaria um favorito ao título. Mas não: o futebol foi mais forte. Ensinou, mais uma vez, como o mundo deveria ser: mais humano e companheiro.

Renan, sua sugestão e decisão foram elogiadas por milhares de pessoas por toda a região, que reconhecem no futebol um meio de educação e de socialização. Certamente algumas pessoas podem ter censurado, mas não dê valor e perdoe quem não en­tende assim. Você (e os demais) tomou a honrosa de­cisão ?antes? do início de uma partida em que dois de três resultados, a vitória ou o empate, seriam possíveis a Queluzito e você, além de valorizar as amizades e ter sido grato ao desporto, demonstrou que faz do futebol um aprendizado de vida. Depois que a partida terminou em 2 a 1 para Lafaiete, com a derrota em campo, ficou fácil a qualquer outro comentário ou censura. Depois do leite derramado é fácil criticar.

Além do mais, por desígnios divinos, houve o empate entre Santana e Itaverava e se houver outra oportunidade divina, com outro empate entre Itaverava e Lamim, restará a você e seus companheiros uma vitória para a classificação. Você praticou uma atitude do bem e só Deus sabe se Queluzito poderá ser premiado. Parabéns, Renan e demais pela brilhante decisão de ?vestir o adversário?, mesmo sabendo do risco de ser vencido por ele. A Copa Amalpa é esporte e não guerra fatal. (Amauri Machado).


Coluna enviada no dia 01/11/2017




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