Educação

Juventude sem estudo - parte I

A evasão escolar está assustadora no Brasil. Muitos jovens estão abandonando a sala de aula antes de concluírem o ensino médio. Quase sempre, a causa é o trabalho. Já tive vários alunos nessa condição. Uns trabalhavam como serventes de pedreiros. Outros eram impedidos pelos pais, que punham os filhos para ajudá-los em atividades domésticas ou na economia informal.

?O Brasil não tem conseguido colocar todos os jovens na escola e, mantendo o ritmo de expansão da escolaridade dos últimos 15 anos, levaria 200 anos para universalizar o atendimento?. Observe o absurdo dessa informação da Folha Uol. Essa realidade é inaceitável, considerando que já estamos com pelo menos 20 anos de atraso em metodologias e currículos, comparados a países que reestruturaram seu sistema educacional e que estão se saindo muito bem nas avaliações oficiais internacionais, como o Pisa, por exemplo.

?Dados de 2015, os mais recentes disponíveis, mostram que 22% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola. O índice é similar ao registrado em 2000, quando eram 25%, segundo estudo do economista Ricardo Paes de Barros.? Essa informação é perturbadora. Deveria nos tirar o sono. É inconcebível que na era da Web2, no avanço das redes sociais e dos cursos a distância o Brasil esteja com tantos jovens fora da escola, ainda que tenhamos um péssimo sistema educacional. Eu não culpo os jovens. Eles querem aprender. Basta ver isso no YouTube. Na minha percepção, eles estão mandando um recado ao sistema obsoleto que temos, ao mostrar indiferença e afastamento das salas de aula. Eles querem uma realidade menos morta.

?Na comparação internacional, o Brasil vem perdendo posições. Enquanto na virada do milênio 43% dos países tinham resultados melhores que o Brasil, atualmente, mais de 55% encontram-se nessa situação. Ou seja: têm um percentual menor de jovens fora da escola.? Essa realidade tem de nos fazer pensar que não basta ter salas lotadas. É preciso assegurar aprendizagem sólida. Coisa que não vi em meus alunos nos últimos sete anos. Para muitos deles, quanto pior, melhor. Na última década aumentou o número daqueles que se vangloriam em copiar idéias prontas da internet sem nenhum escrúpulo. 

?Essa faixa etária é a ideal para o ensino médio, etapa considerada um dos maiores gargalos da educação brasileira. Mas 56% dos jovens de 15 a 17 anos hoje na escola estão atrasados, ainda no ensino fundamental. Além disso, mais da metade dos que já abandonaram o fizeram antes de chegar ao ensino médio.? Essa informação é vergonhosa, considerando que o sistema se tornou altamente bajulador e assistencialista, criando situações que forçam os mestres, a cada ano, a inventar notas para os alunos, ou a criar situações mentirosas para atribuição de notas.

?O estudo faz um balanço da realidade dos jovens que perdem o engajamento da escola e joga luz aos motivos, além de refletir sobre os custos para a sociedade. De todos os 10,3 milhões de jovens brasileiros com idade entre 15 e 17 anos registrados em 2015, cerca de 1,5 milhão nem sequer se matricularam na escola no início do ano. Outros 1,9 milhão até se inscreveram, mas abandonaram a escola antes do fim do ano ou foram reprovados. Há uma cultura de desprezo muito grande pela educação no Brasil. E esse desprezo vem dos dirigentes, passa pelas Igrejas, pelas associações da sociedade civil, está forte nas famílias que não incentivam os filhos a se dedicarem aos estudos, chegando aos jovens, para os quais estudar é passear na escola.

?O volume de abandono e reprovação representa um custo estimado de R$ 7 bilhões por ano para o país. "Trata-se de um enorme desperdício de recursos, uma vez que esse gasto precisará ser realizado novamente no ano seguinte, quando esses mesmos jovens, caso não evadam, retornarem à escola para cursar a mesma série", aponta o estudo, organizado pelo Insper, Fundação Brava, Instituto Ayrton Senna e Instituto Unibanco.?

Agora fica a pergunta: A preocupação é com a aprendizagem ou é com o gasto de R$7 bilhões? Concordo que escola não tem de virar lugar de castigo e de reprovação de alunos. Mas dói ver a ?empurrologia? criada pelo sistema apenas para mostrar cifras à Unesco. Só que agora não temos nem cifras numéricas de matrículas e muito menos resultados. Vamos esconder o quê?

Dados disponíveis na

Folha de São Paulo