Pesca

Pesca ruim no inverno é desculpa de pescador?

Você escolheu o local, chamou a turma, separou suas tralhas, escolheu a isca, cevou e levou até aquela dose para espantar a friagem mas, depois de horas de peleja, nada de peixe. Se todas as escolhas foram feitas corretamente, a falha pode estar ? e é bem provável que esteja ? na temperatura. Não é desculpa de pescador. De acordo com biólogos, o frio interfere na vida dos animais aquáticos da mesma maneira como acontece com os homens e outros animais terrestres.

Como todo pescador já deve ter observado, os peixes ficam menos ativos com as baixas temperaturas, principalmente as espécies tropicais e subtropicais, acostumadas ao clima brasileiro de sol quase o ano todo. O processo é bem simples: no frio, os peixes reduzem todas as atividades do corpo, principalmente a alimentação. Com as temperaturas baixas, eles nadam menos e, às vezes, param totalmente de comer. Assim, não existe isca que o peixe morda, o que torna a pescaria no inverno uma aventura sem garantias de bons resultados.

De acordo com o pesquisador do Centro de Pesquisas de Peixes Tropicais (Cepta), Osmar Cantelmo, todas as espécies de peixes têm uma característica biológica que é responsável por esta paradeira nos rios e represas durante o frio: eles são pecilotérmicos, isto é, a temperatura do corpo varia de acordo com as mudanças de temperatura da água - esfriou a água, o corpo dos peixes esfria junto; se esquentar, esquenta junto. A única opção de ?controle? da temperatura para o peixe é subir ou descer na coluna de água do rio (na superfície, a água é mais quente por causa do sol direto. No fundo do rio, a água é mais fria. Assim, o peixe encontra uma altura que lhe seja mais confortável.

Assim como os homens e os outros animais, os peixes também precisam de uma ?temperatura ideal? para o funcionamento correto do or­ganismo; o chamado ?conforto térmico?. No homem, essa temperatura é em torno de 36,5 graus. Acima disso, é febre. Abaixo, calafrio e tre­medeira. Já entre os peixes, essa temperatura varia. Para os pacus, por exemplo, a temperatura ideal para o conforto térmico é em torno de 26 graus centígrados. Nos tambaquis, entre 27 e 29 graus; o dourado, 25 graus e assim por diante.

Como os peixes estão à mercê das variações externas de temperaturas (pecilotérmicos), nas águas frias do inverno eles perdem o ponto ideal de funcionamento do organismo. Dependendo do quanto a temperatura baixar, o peixe pode não resistir e morrer, como ocorreu em 2000 na represa de Porto Primavera, em Presidente Epitácio, São Paulo. Ali, depois de uma frente fria, houve uma mortandade de tucunarés - peixe tropical amazônico cujo ?conforto térmico? está por volta de 25 graus centígrados. Para citar outro exemplo, o dourado para totalmente de comer se a temperatura da água bater nos 18 graus. Desse ponto para baixo, o peixe começa a sofrer com doenças até chegar à morte.

Pescando em rios

Com base nisso, não é difícil deduzir que as espécies não-tropicais, importadas de países frios, são mais resistentes ao inverno e, por isso, garantem mais as boas pescarias nesta época. A truta, por exemplo, é originária de países frios, como Canadá e Estados Unidos e seu conforto térmico é em torno de 15 a 17 graus. Isso quer dizer que pode ?nevar? que a truta vai adorar. O black bass é outro importado que resiste ao frio e mantém a briga com o pescador. Tilápias e o ?catfish? americano são outras boas opções de pesca no frio. Entretanto, mesmo entre as espécies tropicais, existem aqueles peixes que têm maior versatilidade com as temperaturas e reagem bem, mesmo quando a água esfria. É o caso de corvinas ou piaus.


Coluna enviada no dia 04/08/2017




Comente esta coluna

Galerias

Turma dos “Ô Quêêê” celebra 20 anos de existência às margens do velho e piscoso rio Guaporé

Enquetes

Qual notícia chamou mais sua atenção?


Enquetes 2


No momento, não temos nenhuma enquete ativa.


Colunistas




EXPEDIENTE

DIRETOR-PRESIDENTE E EDITOR: Luiz Fernando de Andrade GERÊNCIA GERAL: Clésio Samuel Luiz Peixoto SUB-GERENTE: Edmilson Moreira Dutra REDATORA: Juliana Monteiro REDATOR-ADJUNTO: Hugo Pacheco Jr. REPORTAGEM: Frances Santana / Rafaela Melo PAGINAÇÃO GRÁFICA: Daniel Vieira / Raquel Gonçalves PUBLICIDADE: Mara Rúbia de Oliveira Silva / Silvana Ribas REVISÃO E DIGITAÇÃO: Jussara Andrade COORDENADOR DE ESPORTES: Amauri Machado (DRT 08266) BANCO DE DADOS: P. de Souza SECRETÁRIA: Norma Aparecida Vitoreti Ramalho CIRCULAÇÃO: Valdiney Rodrigo Vieira Rodrigues IMPRESSORES GRÁFICOS: Wilson Ricardo de Souza / Willian Ribeiro CONSELHO EDITORIAL: Dr. José Álvaro Castanheira / Luiz Fernando de Andrade / Clésio Peixoto / Juliana Monteiro