Educação


Construindo currículo para todos



Construir um ncleo duro comum de contedos curriculares ter lucidez sobre globalizao de pessoas e da diversidade cultural do pas. Uma criana comea seus estudos no sudeste e, em um piscar de olhos, a empresa convida, solicita e transfere seus pais para uma filial do Rio Grande do Sul. A criana pode prosseguir seus estudos, alicerada por uma base comum nacional, uma parte do currculo.

A outra se flexibiliza para atender a diversidade cultural. Minha aposta de que, exatamente nessa parte que o aluno ter condies de escolher temas para projetos de trabalhos, desenvolver habilidades sociais e cognitivas, construir uma autonomia, amadurecer-se como pessoa e estudante por um processo de autoconhecimento, descobrir seu perfil profissional, seus dons e talentos e desenvolv-los. Aqui penso ser possvel o aluno se sentir feliz, maduro, interessado e empenhado. Quando puder escolher pelo menos parte do que gostaria de estudar, poder alavancar sua aprendizagem e surpreender nos resultados das avaliaes oficiais. Da a urgncia de se discutir e implementar mudanas curriculares no sistema de ensino. 

Claudia Costin relata: ?Na quinta-feira, dia 6 de abril, foi apresentada ao Conselho Nacional de Educao (CNE) a Base Nacional Comum Curricular. Ainda falta a base para o ensino mdio, que ser entregue em poucos meses, mas isso significa que o Brasil ter, em breve, um currculo nacional integrado pela base e por sua traduo para contextos locais, incorporando os projetos e sonhos de cada escola.

O pas teve avanos importantes nas ltimas dcadas em ampliao do acesso escola, aumento na escolaridade mdia da populao e matrculas no ensino superior. Mas algo no avana: embora a Prova Brasil, que mede o progresso em aprendizagem dos alunos, tenha mostrado, a cada aplicao, uma contnua melhora no 5 ano, o mesmo no ocorre nos anos finais do ensino fundamental e no ensino mdio, no qual estamos estagnados em um nvel inaceitvel de desempenho.

Vivemos o que ficou conhecido internacionalmente como "a crise da aprendizagem". Aqui, como em alguns outros pases, as crianas esto finalmente nas escolas, mas no esto aprendendo como deveriam.

Algumas coisas j fizemos: construmos um processo de avaliao que, mesmo que imperfeito, d alguma clareza sobre nossos desafios de aprendizagem e permite lanar luzes sobre reas de sucesso que possam ser eventualmente escaladas. Tambm iniciamos um processo de revalorizao da carreira docente, com a Lei do Piso, para aumentar a atratividade da profisso e dar-lhe melhores condies de trabalho, mesmo que ainda insuficientes.

O que comeou a ser feito h quatro anos foi seguir o que os melhores sistemas do mundo j tinham: identificar com clareza as competncias a serem desenvolvidas em cada ano de escolaridade. O resultado o documento entregue para a anlise do CNE - a Base Nacional Comum Curricular, sobre a qual Estados, municpios e escolas vo construir seus currculos.

Com isso, teremos estabelecido os direitos de aprendizagem dos alunos ou o que se espera que cada criana ou adolescente aprenda a cada ano e disciplina e, assim, saber o que deve ser ensinado. Isso dever orientar a produo de materiais didticos, a formao inicial e continuada dos professores e o seu trabalho colaborativo para preparar aulas e atender alunos que apresentam dificuldades.

A elaborao da base foi um processo intenso, atravessou diferentes governos e gerou verses que receberam propostas de modificaes dos mais diversos atores. Mas o mais difcil est por vir: a implementao. O papel aceita tudo, mas como fazer com que todos os estados e municpios preparem seus currculos e contem com professores preparados e com materiais adequados para o trabalho?

Disponvel no site da Folha de So Paulo.



Jos Antnio dos Santos

Mestre pela UFSJ

Contato: joseantonio281@hotmail.com



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Escrito por Educação, no dia 28/04/2017


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