Colunas


A caça aos lambaris gigantes



Com o fim do período da piracema bate aquela vontade de voltar a pescar. Afinal foram longos quatro meses sem visitar as barrancas dos rios, logicamente para aqueles que ainda respeitam o período da desova dos peixes. Pescaria combinada, desta vez, fomos eu, José do Carmo, Hélio e o Nilson (irmão do José do Carmo). Resolvemos tentar encontrar os famosos lambaris gigantes, e nada melhor que a região de Dores do Indaiá. Seguimos pela BR-040, sentido Pompéu, Martinho Campos e Abaeté, justamente para conferir as condições daquele que já foi o sonho da grande maioria dos pescadores de lambaris, o famoso Córrego dos Veados, próximo à cidade de Dores.

Lá chegando, encontramos um rio agonizando, como tem sido nos dois últimos anos. Apesar de ainda estarmos no período das chuvas, o rio não consegue acumular água. Mesmo com a marca nas margens indicando que por lá teve boas enchentes, o rio seca antes mesmo da água limpar. Ainda assim, talvez influenciados pelas lembranças de grandes pescarias ali realizadas, resolvemos parar para ver como estava.

Pescamos lá por um período de pouco mais de duas horas. Apesar do baixo volume e com a água ainda bem turva, fisgamos alguns lambaris, mas não os gigantes que estávamos procurando. Algum fenômeno afetou sobremaneira as condições do local. É certo que o ciclo chuvoso não tem ajudado muito, mas segundo alguns comentários foram plantadas grandes lavouras às margens do rio, e estas lavouras tem sugado praticamente toda a água, fenômeno que tem acontecido também em outros locais. Aconselho a quem tem intenção de pescar no referido local que não vá, as chances de perder a viagem são muito grandes.

Resolvemos, então, seguir em frente e procurar outro rio. Felizmente o que não falta na região são bons locais para a pesca. Seguimos para o rio Jorjão, e lá chegando o encontramos o com bom volume de água, mas ainda bem turvo. Após a famosa jogada de um pouco de raspa de cima da ponte, foi grande o movimentação dos peixes. Resolvemos tentar para ver o resultado. Após aquele almoço improvisado sob um deliciosa sombra, fomos à luta. Para nossa decepção, tinha realmente bastante peixes, mas a maioria eram os famigerados lambaris facão, peixe bom de fisgar, mas que não é apreciado pelos pescadores na frigideira, por se tratar de uma espécie com pouca carne e muita espinha, além de uma escama muito grossa e ruim de se retirar.

Com umas duas horas de pesca, mudamos mais uma de local. Logo a frente passamos sobre o rio Jorginho, aquele que tem a água limpa, mas com uma coloração estranha. Seguimos em frente, em direção ao Estiva, onde chegamos por volta das 16h. As condições estavam boas, e somente no fim de tarde deu para fisgar meio balaio de lambaris, aí sim, alguns dos gigantes que estávamos procurando.

Seguimos em direção ao local onde iríamos dormir, logo após o pedágio. Banho tomado, alguma coisa para forrar o estômago e cama, já que visivelmente todos estavam bem cansados. No dia seguinte, sexta-feira, às 6h, já estávamos na beira do rio. Aí sim, foi um festival de peixes. Além dos lambaris, nosso objetivo principal, mandis, piaus e até uma curimba, fisgada pelo José do Carmo. Pescamos até as 11h e nos divertimos bastante. Encontramos duas turmas de Lafaiete na região, e ao final nos lembramos de uma famosa frase do nosso amigo Silvestre: ?É muito bom fisgar um lambari num dia de semana?. Apesar do cansaço físico, bate uma vontade de voltar logo. Valeu....

Ronaldo de Oliveira

Pescador e proprietário da loja Rei do Rio


Escrito por Pesca, no dia 31/03/2017