Pesca

Para preservar a vida nos rios, piracema começa em 1º de novembro

É hora de guardar a tralha da pesca para que a natureza tenha seu merecido tempo para fazer renascer nos rios o milagre da vida. Período de reprodução dos peixes, a piracema começa, em Minas Gerais, em 1º de novembro e se estende até o dia 28 de fevereiro. A palavra tem sua origem na língua tupi, e quer dizer ?saída dos peixes para a desova?. No Brasil, geralmente acontece durante as chuvas de ve­rão e, mesmo nos dias de hoje, essa ainda é a palavra que melhor traduz o complexo processo reprodutivo dos pei­xes em condições ambientais propícias.

Em Minas Gerais é permitida apenas a pesca com limite de quantidade para espécies exóticas (de outros países), alóctones (de outras bacias brasileiras), híbridos (produzidos em laboratório), além de poucas espécies autóctones (nativas da bacia). Os equipamentos permitidos durante o período de defeso são: linha de mão com anzol, vara, caniço simples ou carretilha ou molinete de pesca, com iscas naturais ou artificiais. Para portar o equipamento de pesca e o pescado é importante que o pescador mantenha sua licença atualizada.

Por que respeitar a piracema

O chamado do instinto para a reprodução é tão intenso que os peixes se descuidam de suas estratégias de proteção e se transformam em presas fáceis. E muitos pescadores aproveitam-se dessa fragilidade para capturá-los em grandes quantidades. O problema é que essa prática predatória pode interferir no processo de perpetuação da espécie e renovação dos estoques: a cada peixe capturado, rompe-se o ciclo. Ele não deixa seus descendentes e, como consequência, haverá menos exemplares nos rios nos anos seguintes. Em dias mais quentes, chuvas frequentes e água mais oxigenada fazem com que milhões de peixes machos e fêmeas dispersos pelos rios se agrupem em grandes cardumes, preparando-se para a subida. Nesse processo para atingir os locais de desova, eles fazem um esforço físico intenso. Al­guns chegam a nadar centenas de quilômetros em poucos dias.

As chuvas aumentam o nível dos rios, que transbordam e abastecem as lagoas marginais e alagadiços, permitindo aos peixes chegar até esses locais ou subir às cabeceiras, onde encontram condições ambientais adequadas para desovar: águas mais quentes, oxigenadas e turvas (o que ajuda na proteção contra predadores). Neste pontos, os peixes já estão maduros e prontos para o acasalamento. A fecundação dos peixes é externa e a grande concentração de machos e fêmeas aumentam as chances de fertilização no am­biente aquático. A partir daí, milhões de ovos descerão o rio ou ficarão se de­senvolvendo nas lagoas marginais que são conhecidas como ?berçários? dos peixes. Estes ovos agora serão vítimas de predadores e, com a escassez de alimento e outras condições adversas, poucas larvas chegarão à fase adulta. A dispersão para as lagoas mar­ginais e remansos permitirá en­contrar alimento e proteção.

Nas lagoas marginais ocorre outro fenômeno importante. Com acesso a elas, adultos entram para desovar, ovos e larvas que descem à deriva também podem se depositar ali, encontrando abrigo seguro. Os peixes juvenis, que se encontravam aprisionados desde o ano anterior, se veem livres para repovoar o rio. Por isso é fundamental preservar esses ambientes. Mesmo antes da piracema, muitas fêmeas que sobem o rio já estão ovadas. É responsabilidade de cada pescador soltá-las ou não, como também praticar a pesca consciente.

Saiba mais em www.ief.mg. gov.br/ pesca/ piracema


Coluna enviada no dia 28/10/2016




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