CORREIO DA CIDADE
Frei Tibúrcio

Frei 1423/2018

Em cheio
A greve dos caminhoneiros, iniciada na segunda-feira, dia 21, atingiu em cheio o coração do Brasil. O país simplesmente parou, deixou de andar e produzir. Em Lafaiete, além da falta de combustível, o movimento provocou reflexos nos transportes público e também no alternativo ? táxis, vans e uber, provocando sua interrupção. Na quinta-feira, 24, alguns produtos de primeira utilidade já não eram encontrados nos supermercados.

Na mosca
Diferentemente de outros movimentos de caminhoneiros, o atual conquistou quase que totalmente o apoio da população, passo gigantesco para que seus reflexos atingissem em cheio a economia e a indústria nacionais. Organizado de forma criteriosa, a gre­ve dos choferes de caminhões conquistou apoios, até então inimagináveis, que foram de empresários a lo­jistas, passando por gente simples da população, que viram neste  movimento uma maneira direta, simples e objetiva de cutucar os nossos governantes.

Agora vai
De duas, uma: ou o governo reconhece os excessos e sua política abusiva de reajustes, ou simplesmente o Brasil vai quebrar, transformando-se em pou­co tempo numa Venezuela melhorada. A verdade é que não dá mais para tolerar o que vem acontecendo com nosso país. Os caminhoneiros entenderam esse espírito e colocaram seus bólidos bloqueando as estradas, conclamando seus colegas a fazerem o mes­mo. A adesão foi ampla, geral e irrestrita.
Solidariedade
No bloqueio instalado na região da Barreira, os caminhoneiros receberam tanto apoio, mas tanto apoio, que decidiram, assim que terminar o movimento, doar os alimentos e roupas para entidades filantrópicas da cidade. Segundo apurou a coluna, é uma maneira de retribuir o carinho da população à causa daqueles profissionais.

Colapso
Em entrevista ao Jornal CORREIO, o gerente da Viação Presidente, Luiz Carlos Gomes Beato So­brinho, se disse preocupado com a situação econômica da empresa. Segundo ele, a Presidente acorda todo dia com um prejuízo de 8 mil reais, que chegam a mais de 230 mil no mês. Ele conclama o prefeito, vereadores, Ministério Público e Poder Judiciário a em­preenderem uma cruzada para salvar o transporte coletivo da cidade. Para Beato, qualquer empresa que, numa eventualidade, assumir o transporte local, não o fará com uma tarifa menor que R$3,80.

Gratuidade
Outra questão considerada preocupante, pelo novo gerente da concessionária de transporte da cidade, é o percentual da gratuidade, número de pessoas que, por lei, tem direito ao transporte gratuito. Em Lafaiete, de acordo com Beato, a porcentagem é de, pasmem, 37%. Para se ter uma ideia do disparate, em Minas e na região, a média de passageiros que anda de graça não ultrapassa os 25%. Equacionando isso, conforme o gerente, é possível iniciar o reequilíbrio das finanças da Viação Presidente.


Coluna enviada no dia 02/06/2018




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