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Carnaval nas corredeiras do São Benedito



Passo o carnaval sempre pescando. Este ano, pela quarta vez (terceira consecutiva), escolhi o rio São Benedito, no Sul do Pará, um dos meus preferidos. Partindo de Alta Floresta (MT), de caminhonete, atravessei o rio Teles Pires de balsa, divisa do Mato Grosso com o Pará. Após um percurso, que leva em torno de 3h, cheguei a um dos lugares mais bonitos que conheço: um rio com nome de santo; um santuário preservado de peixes amazônicos.

Rio cheio nesta época do ano. Como o leito é praticamente de pedra, as águas se tornam muito rápidas, encachoeiradas, cheias de corredeiras e poços profundos. O cenário é ideal para a pesca dos grandes jaús e pirararas - minha pescaria preferida: a dos grandes bagres. Este ano, pesquei sozinho.

Na pousada que leva o nome do rio, estávamos apenas a família Paukoski, os proprietários (Claudio, Teresa, Leandro, Rafael), a cozinheira Adriana - uma gaúcha muito engraçada e boa de cozinha, meu piloteiro, Fran, um jovem índio de etnia Kayabi, que sabe tudo do rio e eu. Ainda este mês, a pousada recebe uma equipe de TV japonesa que, pela quarta vez, vem ao Brasil para gravar um documentário sobre os peixes da bacia amazônica. Onde? São Benedito.

Foram cinco dias de pesca, subindo e descendo corredeiras, apoitando no pé da cachoeira, ponta de ilhas. Às vezes, debaixo de chuva. Em outras, sob sol intenso. Mas voltei com missão cumprida. Como sempre, o São Benedito cheio não falha. Nove pirararas com tamanho acima de 1 metro, oito jaús também de bom tamanho, além de grandes ca­chorras largas, corvinas e barbados - uma pescaria espetacular. No carnaval de 2019, o São Benedito que me aguarde: estarei aí novamente.

Agradeço a todos que me receberam tão bem, como de costume. Em especial, ao curumim Fran, que me proporcionou uma grande aventura nas águas rápidas do rio e grandes peixes. Rio São Benedito e Pousada São Benedito, eu recomendo.



Escrito por Pesca, no dia 08/03/2018